Gosto de pensar sobre o sentir e nossas interpretações. Cada sensação física é interpretada de maneira pessoal através da mente de cada ser. Percebemos com isso que a dor é uma interpretação cerebral. Por isso dizemos que determinada pessoa é forte para dor enquanto umas são mais sensíveis. Eu pessoalmente sinto muita dor ao depilar meu buço na linha. Porém conheço pessoas que fazem linha no rosto inteiro e dizem que adoram. Enquanto outras nem fazem pois não suportam.
Reflito o quão possuímos realidades pessoais que dialogam entre si. Acredito que por isso temos a história da torre de Babel. Que simbolicamente representa o quanto cada Ser possui uma linguagem própria. Uma maneira de decodificar suas próprias vivências e sentires.
Outra maneira de vermos essa ideia é através do sentido para mim mais mágico de todos: o olfato. A infinidade de neurônios que compõe esse sistema é algo surreal. O quanto cada cheiro compõem memórias.
Escrevo neste momento sentada numa cafeteria. O cheiro do café unido aos sons de pessoas papeando e o tintilar dos talheres me remete as férias de verão em família. A casa cheia, risadas e claro: cheiro da maresia. Talvez seja por isso que me sinto mais animada próximo ao mar… e quando penso em lazer e viagem de férias só busco praias. Apesar de ter nascido no litoral e morar no litoral… algo em minha psique se sente familiarizado com o mar. Até os cheiros de casa que escolho possuem notas que lembram cheiro de praia.
Uma coisa pessoal que irei compartilhar aqui é que eu uso um perfume para cada estação. Atualmente meu perfume de verão é exatamente o que eu usava quando adolescente no veraneio. Usá-lo nessa época me remete as minhas vivências daquela época.
O curioso dos aromas é que se outra pessoa tiver tido memórias ruins com os mesmos cheiros que eu mencionei, mesmo que ela não recorde conscientemente do período, ela irá dizer que não gostou desse cheiro… achou ruim ou enjoado… ou seja, o que rotulamos como bom ou ruim a nível de aromas compõe uma realidade intimamente pessoal.
Como em mais um exemplo: eu amo cheiro de fezes de vaca! Me remete ao campo, natureza… sei que este pode ser interpretado como fedor por muitos. Porém eu curto sentir aquele aroma intenso que me preenche de memórias. Meu avô quem me permitiu iniciar a reflexão sobre cheiros quando eu ainda era bem criança ao me dizer quando eu reclamava que algo fedia: “quem cheira, fede!”
Levei muitos anos para compreender a profundidade dessa frase.
Hoje, ainda decanto no interior de minha psique sobre o quanto os opostos, os diversos, permitem que minha consciência se expanda.
Vocês também costumam refletir sobre suas memórias olfativas?
Grata por se conectar comigo neste momento.
E que nossa psique siga se expandindo a cada nova vivência!
Até a próxima.
Com afeto,
Kati.

